Quilombo Mesquita: tradição, força e resistência
A 50 km da capital federal, um povoado cheio de histórias e tradições traz até os nossos dias a cultura centenária do plantio do marmelo e das novenas. Conheça um pouco sobre o Quilombo Mesquita.

Aqui começa uma tentativa de resgate da história do Quilombo Mesquita, que existe há mais de 300 anos, de uma história que foi escrita a sangue, da cultura quilombola que foi regada a festas, danças e muita marmelada e da identidade quilombola que foi perdida no decorrer dos anos.

Andando pelo Povoado Mesquita, percebe-se que ainda há memória viva no quilombo e essa memória vai se espalhar por essas páginas e se eternizar no conhecimento das novas gerações.

Apesar da incerteza sobre questões fundiárias, o Quilombo não deve ser visto como um pedaço de chão porque o quilombo não é só um pedaço de chão, mas é a história deste país e abriga hoje cerca de 1.200 descendentes, não de escravos, mas de seres humanos que foram escravizados e trazem nas costas as marcas do sofrimento, da vergonha e do preconceito.

Mas traz também, em suas faces, a marca da força, da coragem e da resistência de um povo que sobreviveu à violência no passado e hoje sobrevive ao descaso. Esse povo que muitas vezes padece necessidades de infraestrutura, de emprego e renda e políticas públicas específicas, hoje sofre sua maior perda, o definhamento de sua identidade cultural e do orgulho de ser um quilombola.

Os quilombolas devem preservar a sua cultura não por serem diferentes melhores ou piores, mas por serem em sua essência, e por sua riqueza histórica e cultural, altamente especiais. Ser quilombola não é ser negro, ser quilombola não é ser filho ou neto de escravo, ser quilombola não é nascer dentro uma terra amaldiçoada pela burocracia...

Ser quilombola é trazer em cada gesto a tradição que veio dos pais, nas comidas, nas canções, nas rezas, ser quilombola é trazer nas mãos a força de quem construiu uma nação com seu trabalho. Ser quilombola é resistir aos séculos e permanecer, ser quilombola é tradição, força e resistência, ser quilombola é quebrar os grilhões e unir forças para ser livre em um Brasil que o país ignora.

Fotos: José Assis Andrade
Reportagem feita em 2011 por: Jack Lima
Instagran: Jacklima_identidade






















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