Colheita N'golo 2020, a produção continua mesmo sem festa.
O ano de 2020 pegou a todos de surpresa com o cancelamento das festas. As pessoas tiveram que se adaptar a novas formas de vida durante a pandemia que aterrorizou o mundo. Por esse motivo, a Festa do N'golo do Quilombo Mesquita foi cancelada, porém a produção do vinho continuou e as vendas foram feitas pela internet. "Se uma vacina for criada até o dia da festa nós faremos o evento", disse um dos organizadores, Manoel Neres.
Confira um pouco da visita do Jornal Identidade no Quilombo para acompanhar a colheita e degustação dessa preciosa iguaria.
Saiba mais:
N'golo resgata raízes africanas no Quilombo Mesquita https://www.idprojeto.com.br/post/ngolo-resgata-ra%C3%ADzes-africanas-do-quilombo-mesquita
II Festival gastronômico N'golo no Quilombo Mesquita https://www.idprojeto.com.br/post/festival-gastron%C3%B4mico-ngolo-no-kilombo-mesquita
Pela horrível situação de pandemia, deixamos aqui essa reflexão.
Pandemia
O vírus fez a primeira vítima
O rico que viaja
O turista longe de casa
Num cruzeiro que naufraga
Nada num rio,
Nada num oceano de lágrimas.
O vírus fez a segunda vítima
No oceano, o navio.
O povo que habita nele: a carga.
Só de pensar, nos dá calafrio
No ar, o silêncio, o vazio
Cobrindo o sorriso, a máscara.
E o vírus fez a terceira vítima
No leito do hospital, na maca
No corredor, na fila do Cais
Guarujá, Copacabana, na Lapa
Grande São Paulo, aeroportos, capitais
No lugar de tudo, agora é nada.
A quarta fatalidade
Tirou a vida da cidade
Trancados em casas e apartamentos
Conheceram uma vida de qualidade
Lembraram do amor da família
Tiraram do peito a saudade.
A quinta vítima, a liberdade
O ir e vir não é mais possível
A situação se tornou inacreditável,
Incrível.
O mundo prostrado
Diante de um inimigo invisível.
A sexta vítima vale metade
Meia vida, meia hora. “Não se atrase!”
“Fica em casa” não lhe serve,
Eutanásia.
Suicídio coletivo de uma nação que trabalha
E dá sustento a sua casa.
No corredor da morte
Caminha desesperado
O maior medo:
Ficar desempregado
Um salve ao povo da fronteira
Que vai acordar e ganhar seu pão
Leve a guia, a medalhinha
Leve o São Jorge e o Dragão
Na saída um beijo da filha
E um abraço do irmão.
Ninguém faz nada. (Ninguém faz nada).
E só lhes restam a oração.
Texto: Jack Lima
Fotos: Marcelo Mançano






















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