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História da Cidade Ocidental - Hino, brasão e bandeira.

12 de mar. de 2021
4 min de leitura

A Cidade Ocidental tem uma história bem diferente das outras cidades do Entorno. O motivo é que ela abriga uma parte antiga de Santa Luzia dentro dos limites limítrofes do município. Essa região se compreende entre o Garapa e o Mesquita. Também usa-se o nome Xavier em algumas menções históricas.


O Arraial de Santa Luzia foi fundado pelo bandeirante português Antônio Bueno em 1746. Já habitavam na região várias etnias indígenas do grupo étnico Jê. Os bandeirantes paulistas exploraram a região que hoje se chama Centro-Oeste em busca de metais e pedras preciosas como ouro, prata, diamantes e esmeradas. Eles encontraram ouro nas margens do Rio Vermelho e montaram acampamento para começar a extração do ouro nas minas de Santa Luzia, durante o século XVIII.


A região que hoje se compreende como Cidade Ocidental fazia parte de Santa Luzia, por isso ela carrega um pouco dessa história. Isto se explicita na construção do Brasão, da Bandeira e do Hino Municipal. Perceba a menção do cultivo de marmelo no hino municipal. Essa cultura vem desde os tempos remotos, muito antes da fundação do Núcleo Habitacional.



Hino de Cidade Ocidental Sob a luz e o calor desse chão Edifica-se o nosso amanhã São pioneiros, são jovens e irmãos: A criança a família e o nosso ancião Descendentes de estados distantes Contribuem para nossa educação. Foi assim o princípio da crença Que nos trouxe nossa emancipação

Nossas ruas acolhem quem chega Cada um com seu imaginar (2x) É assim nosso espaço-metrópole Que Cidade Ocidental quer sua história contar

No extenso solo geográfico, A natureza gemina a semente E o marmelo somando a riqueza Que alimenta o futuro da gente É o grão que se multiplica É o verde do nosso Centro-Oeste É o suor do homem do campo Que nossa terra enobrece

Nossas ruas acolhem quem chega Cada um com seu imaginar (2x) É assim nosso espaço-metrópole Que Cidade Ocidental quer sua história contar

Não tememos a imagem do medo Nossa gente sempre acreditou Na obediência do servo fiel Nossa mente se estruturou Nossa flâmula trêmula no ar Para saudar cada opinião No plenário nosso legislador Que propõe nos tornar cidadãos

Nossas ruas acolhem quem chega Cada um com seu imaginar (2x) É assim nosso espaço-metrópole Que Cidade Ocidental quer sua história contar

Duração: 4:28m

Em 1977 chega à Cidade Ocidental um poeta. Não daqui, mas do mundo, o Maranhense, filho adotado por Manoel Pires e Dona Carlota, Jorge José de Lima viveu no Piauí, em São Paulo e veio à Brasília em busca de seus sonhos. O solo que firmou os pés do cidadão honrado, digno e pai de família não sabia que sustentava os pés aquele que escreveria as palavras que iriam definir o município no passar das gerações através do Hino Municipal e de suas poesias encantadoras.

Compositor da letra: Jorge José.

Compositor da música: Nilton Batata.


Nilton Batata é um cantor consagrado na história do município e ficou conhecido por cantar nas missas de domingo, na Paróquia Santo Antônio, com a banda Romanos. Hoje faz parte do projeto Missão Lugar Seguro e tem uma vasta obra discográfica. Ninguém mais adequado que Batata para musicar o hino municipal.



Brasão


De autoria de Marcos Antônio dos Reis, logo em cima, suas datas: 1976, representando o ano da fundação e 1990, representando o ano da emancipação. As asas são a liberdade; a estrela no fundo, o nascimento da cidade em 1990; os galhos cheios de marmelo do Quilombo Mesquita; o córrego Saia Velha e o Rio São Bartolomeu na divisa do município com Luziânia e Cristalina; a engrenagem é o trabalho pelo desenvolvimento; a espada é a justiça e na base, a esperança.

As duas datas representam o período em que o Núcleo Habitacional foi Distrito de Luziânia desde sua fundação até a emancipação quando passou a ser cidade. O nome "Cidade Ocidental", às vezes confunde as pessoas. Pois, o então distrito só passou a ser cidade após a emancipação. Antes disso era apenas mais um bairro de Luziânia onde tínhamos representantes na Câmara Municipal.

Mais uma vez a incoerência de colocar uma cultura de mais de 200 anos para um denominação que só possui pouco mais de 40. Também é incoerente chamar a "Cidade Ocidental" de cidade quando ela era um bairro, que foi o período de 1976 a 1990. Os bairros mais antigos da cidade têm a sua própria história e precisam ter o seu devido reconhecimento na história, já que são mais antigos que o empreendimento imobiliário, Núcleo Habitacional chamado de Cidade Ocidental.


Bandeira


Bandeira da Cidade Ocidental: Cerrado, ouro e água, marmelo e quilombo no meio.

"A Bandeira do Município de Cidade Ocidental é de autoria de Fernando Santana. A parte verde representa a agricultura e a vegetação nativa. A parte amarela representa as riquezas naturais, o ouro. O azul, os rios, córregos e nascentes. A estrela vermelha representa o Quilombo Mesquita com dois galhos de marmelo em volta, símbolos do município." Fonte: Apostila educacional elaborada pela Secretaria de Educação do Município na primeira gestão em 1994 pelas professoras Maria Vilani Abrantes e Inês Holanda Loiola.

É interessante ver que o Quilombo Mesquita foi colocado no centro e a cultura do marmelo também. O que não se pode compreender é o motivo do Quilombo ter quase 300 anos e a Cidade Ocidental não passar de meio século. Quando se diz que a Cidade Ocidental, de sua fundação e passando por sua emancipação, tem 43 anos, ignora-se tudo o que havia antes no local. Como, por exemplo, bairros, fazendas e o próprio quilombo. É importante saber onde a Cidade Ocidental começa e onde ela termina no meio de tantas lendas e histórias contadas pela metade.


A Lei 11.465/08, que inclui no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena” precisa ser cumprida. A história eurocêntrica, contada há muitos séculos, caiu em desuso. Hoje, é obrigatório que essa correção seja feita e as histórias dos índios que habitavam a região e dos africanos que foram trazidos para serem escravizados sejam inclusas nos conteúdos escolares.


As interpretações históricas que excluem a presença de indígenas e quilombolas estão descumprindo a Lei e não são adequadas ao aprendizado e à construção da identidade do Brasil Brasileiro. É preciso reconhecer as origens reais deste país e do Estado de Goiás. Só assim a educação brasileira formará cidadãos capacitados para viver em uma sociedade com bases firmadas na democracia.


Jack Lima - Jornal Identidade



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