II Festival Gastronômico N'golo no Quilombo Mesquita
Essa história começou nos tempos remotos quando ainda não havia meios para consumo e conservação de alimentos. Hoje as receitas feitas no Quilombo Mesquita têm um significado maior, elas trazem a identidade do local com as suas origens africanas.
O quiabo de Angola é o ingrediente principal dessa festa feita em sua homenagem. Várias iguarias foram elaboradas a partir dessa planta também conhecida como vinagreira, groselha e hibisco. Seu gosto azedo produz um sabor especial em doces e salgados, mas, o carro chefe são as bebidas. O vinho e o suco fermentados naturalmente fazem sucesso e agradam o paladar mais exigente.
A comunidade festejou com alegria e expos os seus melhores produtos. Desde a marmelada, doces de leite e laranja, pães e outros alimentos que tornaram o ambiente acolhedor. E as atrações animaram ainda mais a festa. Dj’s, grupos de dança, culturas típicas como a Dança da Raposa, tradicional do Mesquita. Livros sobre o tema, espaço kids, espaço de memória do quilombo e a exposição dos heróis negros enriqueceram o evento.
As cores, as canções, a confraternização, tudo em harmonia com a cultura, a tradição e a história do Quilombo Mesquita. O contato com a identidade cultural resgatando as raízes mais profundas em cada alimento, em cada costume. N’golo foi o nome dado ao vinho feito com o quiabo de Angola. N’golo foi o nome dado a essa festa que foi plantada, colhida, curtida e servida para que todos pudessem apreciar o sabor da amizade e da alegria de viver em comunhão com essa grande família que é o Quilombo Mesquita.
O Quilombo Mesquita tem sofrido com a perda de sua identidade desde que pessoas que não fazem parte da comunidade passaram a morar no local e lutam contra a preservação de seus costumes e de sua cultura. Apesar das dificuldades o Quilombo Mesquita resiste.
O fruto de Angola que deu origem aos alimentos oferecidos nessa festa representa muito mais que delícias feitas por mãos hábeis na cozinha. Ele representa a força de um povo que veio para o Brasil, não por convite nem por vontade. Mas, retirado de sua terra natal, veio sob violência, sofreu de todas as formas, mas resistiu, sobreviveu e, hoje busca resgatar um pouco de sua cultura mãe.
Cultura essa que ficou para trás, com suas casas, com suas famílias.
O quiabo de Angola é um pedacinho desse legado que foi preservado nesses 300 anos que se passaram. Cada vez que se colhe um quiabo de Angola, um quilombola vê motivo para comemorar, celebrar e festejar o resgate da sua origem, da sua tradição. Cada povo tem o direito de celebrar a sua cultura. E em um país miscigenado é nosso dever compartilhar de cada parte desse imenso Brasil e abraçar com força a todos os povos que o compõem. Esse é um princípio indispensável de democracia e liberdade.
Galeria: II Festa N'golo do Quilombo Mesquita
Galeria: produção de quiabo de Angola e do vinho N'golo.






















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