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Editorial - Aos prefeitos e prefeitas

18 de out. de 2019
2 min de leitura

A política é a arte de administrar os sonhos de um povo

A partir da constituição de 1988 a política de desenvolvimento das cidades brasileiras passou a ser definida por Leis Orgânicas e Planos Diretores. O Plano Diretor é uma Lei Municipal que estabelece diretrizes para a ação pública e privada, com o objetivo de garantir as funções sociais da cidade. Ele analisa a cidade que temos para planejarmos a cidade que queremos ter.

Assim, a prefeitura, em conjunto com a sociedade, busca direcionar a forma de crescimento para uma melhor qualidade de vida e preservação dos recursos naturais. Portanto, o Plano Diretor é um projeto de iniciativa da prefeitura, discutido pela sociedade, aprovado pela Câmara Municipal e sancionado pelo prefeito. O resultado formalizado através de Lei Municipal é a expressão do pacto firmado entre a sociedade e os poderes Executivo e Legislativo.

O Estatuto da Cidade não deve ser uma imposição meramente formal, o que interessa ao ministério das cidades e municípios brasileiros é que o Plano Diretor possibilite, através de seus instrumentos, que os cidadãos repensem as cidades. É necessário o comprometimento dos governos municipais em convidar os habitantes das cidades a participarem dos planejamentos e a colaborarem com o desenvolvimento dos municípios através desses recursos proporcionados pelo Plano Diretor. A população deve pensar nas cidades como uma extensão de suas casas e planejar o lugar onde querem viver.

Um bom planejamento de cidade pode evitar estagnação econômica, as calamidades públicas e o desperdício de recursos. Nesse processo é fundamental a participação da sociedade civil e do governo. Um planejamento feito com responsabilidade vai garantir que a cidade cresça de forma saudável proporcionando qualidade de vida a cada morador e resultados que garantem a eficácia dos governos para os gestores que têm o intuito de realizar um projeto que dê um resultado benéfico à população.

O sociólogo e filósofo Rubem Alves, em seu livro “Conversas Sobre Política”, compara as cidades a jardins afirmando que o homem foi feito para viver em jardins tranqüilos e floridos. Ele conta que a construção da cidade feliz que ele compara a jardins, não começa com dez mil tarefas administrativas e as inaugurações que as seguem. Mas, começa como único sonho. Alves acredita que a missão mais importante dos prefeitos e prefeitas é seduzir os habitantes das cidades a amar os jardins e pensar nos jardins, ou seja, nas cidades ideais, e que o principal papel deles é fazer o povo repensar o lugar onde querem viver.

O sociólogo afirma que os povos são construídos com sonhos, aqueles que compartilham sonhos se dão as mãos e caminham juntos. E esse é precisamente o início da política que poderia até ser definida como a “arte de administrar os sonhos de um povo”. Alves cita ainda a máxima de Raul seixas: “Sonho que sonha só é sonho. E sonho que sonha junto é realidade”.


Foto: Em entrevista ao poeta Jorge José, ancião, compositor do hino municipal, ignorado pela prefeitura da cidade em que vive. Ignorado pela câmara de vereadores. Nós gritamos, gritamos e eles fingem não escutar.

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