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Maestro Nivaldo: Um sopro de vida

22 de jan. de 2020
2 min de leitura

Conheça a história do maestro Nivaldo Calçado, o professor que leva sopro de vida através do trompete à crianças carentes.


A paixão por instrumentos de sopro entrou cedo na vida do maestro, que aos 11 anos ganhou um trompete e aprendeu a tocar corações com o seu talento. Mineiro de Paracatu, o garoto entrou na carreira militar e através da música tornou-se sargento da aeronáutica ainda aos 19 anos. Formado pela Faculdade de Belas Artes do Paraná, Nivaldo dos Reis Calçado, conhecido como “Maestro” ganhou o Brasil e o mundo tocando com orquestras sinfônicas. Músico e filósofo, ele passou em vários concursos entre eles Curitiba, Espírito Santo e Goiânia. Para ficar mais perto da Escola de Música de Brasília onde trabalhava como professor, em 1994 passou a residir em Valparaíso, lugar onde construiu o maior trabalho de sua vida, a Escola de Música Pública da cidade.


Encantado com a cidade, Nivaldo fez concurso público para professor de música na rede municipal e começou a trabalhar no CAIC no início de 1998 (foto). Para dar o ponta pé inicial, mesmo sem estrutura, começou a ensinar flauta doce até conseguir um kit de instrumentos do governo federal. “Eu dava aulas pra 300 alunos sozinho, todos os instrumentos e formação de banda”, lembra. A iniciativa do professor deu início à escola de música municipal de Valparaíso que hoje é modelo para todos os municípios e atende 1.500 alunos carentes de toda a região com aulas de música, pintura, dança e teatro. São 18 modalidades e 22 professores tudo pago com recursos municipais.


Mas nem sempre foi assim. Em 14 anos, este trabalho passou por muitas dificuldades e chegou a fechar as portas em 2003 quando o maestro foi afastado do cargo por questões políticas. “Um bom governo se faz com as pessoas certas, nos lugares certos”. Mas, para a alegria dos alunos, em 2006 o maestro foi chamado de volta para reerguer a escola que voltou a dar frutos. “Quando você está frente a frente com uma coisa que você criou você sabe cuidar daquilo com carinho”, conta. A escola foi fundada e registrada. “Homenageamos um professor muito querido que trabalhou conosco e faleceu em 2007, por isso ela passou a se chamar Escola Municipal de Música, Dança e Teatro Prof ° Adilson Menezes”, explica.


“O interessante é ver que estamos dando um norte na vida desses alunos. Muitos jovens estão afastados das drogas e da violência por causa desse trabalho. Nós não podemos nos dar o luxo de por tudo isso a perder, estamos lidando com vidas, e esses jovens e suas famílias são mais importantes do que tudo”, finaliza o maestro que aprendeu a reger vidas como quem rege uma sinfonia e a cada nota constrói histórias e muda destinos.

Fotos: Jornal Identidade e arquivo pessoal

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