Folia do Divino Espírito Santo é tradição no Quilombo Mesquita
Várias casas oferecem o pouso de folia ao divino Espírito Santo, dessa vez visitamos a família Lisboa Dutra

Com as bandeiras eles chegam. O som dos tambores ruge dando ritmo à procissão que leva ao santuário. Começou mais uma folia do Divino Espírito Santo. Brancos, negros e mulatos em uma cultura mestiça. O abraço fraterno é unido pela fé, pela tradição que se encontrou no decorrer da história de dois povos que caminham juntos em nome da paz.

As cantigas são vozes regidas ao som da rabeca, da viola e dos tambores como pandeiro e adufe. O coro é de muitas vozes, mas o propósito é um só: agradecer às bênçãos recebidas e homenagear o Divino Espírito Santo. “Fraternidade sim, violência não!”, é o que diz a canção entoada por eles.

Quem recebe os foliões é Carmem Lúcia Lisboa Dutra, juntamente com seus irmãos Genilce Maria das Dores Lisboa e Carlos Antônio Lisboa. Eles são filhos de Gervásio Lisboa da Costa e Horacina Alves Lisboa já falecidos. Ela conta que seu pai lhes pediu no leito de morte que não deixassem de fazer o pouso que já era tradição na casa por 35 anos. “Nosso pai quis e nós demos a palavra que iríamos continuar. Ficamos 3 anos sem fazer por causa do luto mas voltamos e não vamos mais parar. Os nossos filhos vão continuar”, conta Carmem Lúcia.

Mas, a recepção não fica só na promessa. No cardápio arroz, tutu de feijão, frango, costela, mandioca, salada de alface e maionese e é claro, a tradicional gueroba para servir os foliões. No prato, a fartura com muita comida feita pelas mãos das devotas que madrugam para conseguir preparar tudo. E no coração, a fé, a gratidão e o respeito à tradição dos pais.

No dia seguinte o café da manhã já está na mesa bem cedo para despertar os que pousaram durante a noite. Faz parte do ritual a Chegada da folia no cruzeiro, a reza, a janta, e o bendito de mesa. O pouso do Divino Espírito Santo acontece todos os anos em várias casas do Quilombo e dentro da Cidade Ocidental. Pessoas de várias regiões acompanham por questões religiosas ou apenas para participar das festividades culturais.

Reportagem: Jornal Identidade
Fotos: Marcelo Mançano






















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