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Produção de ponkan é destaque no Centro-Oeste, diz Antonino Araújo

12 de mar. de 2021
5 min de leitura

História de um produtor rural

Logo na chegada já se vê o fruto. O amarelo reluz nos olhos de quem vê o potencial agrícola do município. A outra face da Cidade Ocidental, que é muito rica e poucos conhecem é a vida no campo. O agricultor João Antonino Araújo nos guiará nesta viagem para mostrar o lado rural do município. Vamos lá?


A zona rural da Cidade Ocidental abriga um povo que produz, que vive da terra, em uma vasta região vivem agricultores, pecuaristas, produtores rurais, homens do campo que produzem alimentos e entre eles está a ponkan, que é colhida no mês de junho e deixa a vida do produtor e a mesa do consumidor mais colorida e saborosa.



Proprietário do Sítio Recanto dos Anjos, que fica na Região Xavier na zona rural da Cidade Ocidental, João Antonino de Araújo, nascido em Acari no Rio Grande do Norte se casou com a goiana Irene da Silva Arantes. Se conheceram na fazenda da família da moça em Acraúna, filho de fazendeiros, Antonino aprendeu a lidar com a terra e com os bichos desde a infância e cresceu habituado à vida no campo.



Em 8 de dezembro de 1979 foram morar na S.Q. 11, onde ficaram alguns anos afastados da vida rural até que em 2001, por herança de família, receberam as terras que logo foram transformadas em local próprio para cultivo e criação de porcos e aves.



Tiveram duas filhas, Michele, enfermeira e Roseane, professora, que lhes deu dois netos, Miguel e Liandra. No dia a dia elas trabalham na cidade em suas profissões, mas, no fim de semana estão no sítio ajudando com a lida. Esta realidade é particular de Cidade Ocidental. Pertencer a dois mundos retrata com precisão a natureza do povo ocidentalense que desfruta tanto da área urbana como da rural.

Família produtora



Esta família faz parte de uma leva de inúmeras pessoas que produzem os nossos alimentos, queijos, compotas, pamonhas, carne fresca, tudo sem agrotóxicos e feito com todo o carinho para os moradores da cidade consumirem através da feira do produtor. “Aqui nós trabalhamos muito e produzimos com as próprias mãos, lidando com a terra diariamente nós fazemos de tudo um pouco. Tratamos o porco e dele fazemos a linguiça, carne recheada, toucinho e banha. Fazemos doce de leite, pamonha, farinha de milho, doce de goiaba, hortaliças, frutas, mandioca, pamonha e queijo. Vivemos do trabalho de nossas próprias mãos e vendemos na Feira do Produtor Rural que agora está localizada ao lado do Ginásio de Esportes”, conta Antonino, produtor rural e agricultor do município.


A produção de ponkan

Mas nem tudo são flores, a família rural tem enfrentado dificuldades para viver do campo. O Sítio Recanto dos Anjos, hoje tem 20 pés de ponkan em 1 alqueire de terra, que produz cerca de 120 caixas de ponkan a cada colheita. O proprietário do Sítio, Antonino de Araújo conta que a produção já foi bem maior, mas que por falta de incentivo ela vem diminuindo a cada ano. “Além de ser difícil encontrar mão de obra, temos que pagar todos os direitos do trabalhador sendo que o produto da ponkan não é muito rentável. Vendemos o fruto e fazemos a compota, fora isso, não temos outra fonte de renda vinda da ponkan para cobrir os gastos da produção. Por causa da crise no setor os produtores preferem trabalhar com pecuária, pois o produto do gado é bem mais lucrativo, além do leite que tem muitos derivados, a carne também se tornou um bom negócio para os produtores rurais conseguirem se manterem no mercado. Precisamos desenvolver políticas públicas de incentivo ao produtor rural para mudar esse quadro antes que definhe de vez”, conta o produtor rural.


Feira do produtor

Outras áreas do setor produtivo tem sofrido consequências graves, o que tem feito a classe perder a credibilidade diante da clientela. Ele conta que muitos deixaram de enfrentar as dificuldades e passaram a comprar tudo na CEASA e revender em pontos da cidade, o que tem enfraquecido a feira do produtor que perde cada vez mais feirantes, por permitir apenas comercialização de produtos locais não aceitando a venda de produtos comprados fora para que a Feira do Produtor não perca o sentido de incentivar o produtor rural. “Só vendo o que produzo, quando não tenho matéria prima compro do meu vizinho o leite para fazer o queijo e o doce e o milho para fazer a pamonha e a farinha. Faço tudo aqui no sítio e ainda ajudo o meu vizinho.”, explica Antonino. Ele afirma que com trabalho tem enfrentado os problemas e vencido um dia após o outro.


Curiosidade

Tangerina, Mexerica, Ponkan ... afinal, qual a diferença entre elas?

Bem, a resposta é mais simples do que parece! A Ponkan e a Mexerica são duas espécies distintas de tangerina. Apesar de serem muito parecidas, a ponkan ganha por sua suavidade no aroma e no sabor. A Mexerica que costuma “denunciar” quem aprecia o fruto pelo cheiro forte que deixa nas mãos, já a Ponkan não possui tantos óleos essenciais em sua casca diminuindo a acidez do fruto. Assim como a maioria dos cítricos, a tangerina provavelmente surgiu na Ásia e veio parar no Brasil, sorte dos brasileiros, que podem aproveitar todos os benefícios nutricionais dessa fruta. Da mesma forma que a laranja, o limão e outras frutas cítricas, a mexerica e a ponkan também são bastante ricas em vitamina C. Uma outra vantagem adicional é que os gomos possuem muita fibra. Por causa disso, o consumo dessas variedades ajuda na digestão", ou seja, a Ponkan ajuda sim no emagrecimento! É ou não é uma maravilha?



Vida pública

Antonino recebeu o convite para atuar como chefe da divisão de agricultura da cidade e tem aceitado o desafio de tentar desenvolver a agricultura no município e ajudar a seus colegas que precisam de incentivo para produzir. Ele afirma lutar pela implantação do Conselho de Municipal de Agricultura tem a função de acompanhar, fiscalizar e sugerir os recursos de aplicação na agricultura familiar. Ele também luta pela aprovação da Lei de Fomento à Agricultura Familiar com o objetivo de proporcionar aos agricultores condições de desenvolvimento de suas atividades assim como a assistência técnica. E a principal meta, a instituição do Serviço de Inspeção Municipal (SIM).


As vantagens da implantação do SIM

Com ele o produtor será beneficiado porque poderá diversificar ampliando seus produtos que estão proibidos de serem comercializados pela falta de inspeção. A comunidade escolar também poderá ser beneficiada porque tendo a inspeção os produtos poderão ser inseridos na merenda escolar. O comércio local poderá revender os produtos e repassar ao consumidor produtos de qualidade, naturais, sem agrotóxicos e ainda repassar o preço baixo. Como pode-se perceber as vantagens do SIM são inúmeras e totalmente necessárias para o desenvolvimento da pequena agroindústria rural com a polpa, a farinha, derivados de leite e piscicultura. “Não adianta ter uma lei federal, uma estadual e não ter regulamentação no município. Estamos em processo de elaboração da lei municipal para a implantação do SIM e para o incentivo à agricultura”, afirma Antonino.



Texto: Jack Lima

Fotos: Marcelo Mançano Aro

Revisão textual: Raffael Santana

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