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16ª Festa do Marmelo do Quilombo Mesquita

18 de out. de 2019
3 min de leitura

Como símbolo de resistência e devoção, a festa foi realizada com a força e o empenho da comunidade


A Festa do Marmelo aconteceu pela 16ª vez e consagrou-se como um evento típico da Zona Rural da cidade. Com missa, almoço, leilão, baile, cavalgada, corrida, passeio ciclístico e muita marmelada, a festa teve recorde de público e lotou o Mesquita com visitantes de várias cidades do Entorno e Brasília. Desta vez os festeiros foram Mauro Melo e Santina Lemes de Assis que organizaram a festa com muita alegria e disposição. “É uma festa da comunidade e a comunidade toda se mobilizou para fazer. E nós trabalhamos com muita dignidade e de cabeça erguida”, conta Santina.


Realizado uma semana antes do evento para ajudar na divulgação, o passeio ciclístico veio pelo mesmo motivo da cavalgada. Agradecer aos comerciantes e moradores que ajudaram na festa e convidar a comunidade a participar do evento. O percurso passou pelo ABC e Jardim Edite retornando ao Quilombo Mesquita que preparava os últimos detalhes da festa.

A Cavalgada ficou por conta das Brutas e Diferenciadas e da Comitiva 100 Futuro. O grupo mais animado da Festa do Marmelo não poupou sorrisos e alegria no trajeto que saiu do Mesquita rumo à Cidade Ocidental, passou pelo Dom Bosco, centro da cidade, Friburgo e retornou ao ponto de partida para começar um dos momentos mais esperados do ano, o baile.


O salão da igreja ficou lotado e a alegria contagiantes dos cavaleiros e amazonas fizeram do baile uma festa de paz e muita diversão. Ao som do DJ Eltin eles dançaram até a madrugada e foram desancar, afinal, o último dia da festa começa cedo com a celebração da missa.

Na igreja, a comunhão, a fé e a gratidão enchia os corações daqueles que estavam ali por um único motivo: Agradecer pela colheita do marmelo. É hora de refletir e lembrar o motivo do festejo. “A capela onde hoje é o memorial do Quilombo ficou pequena para a comunidade. Então, uma comissão da igreja deu início a Festa do Marmelo para arrecadar fundos para a construção da Igreja de Nossa Senhora da Abadia. A igreja ficou pronta, mas a tradição não parou mais. Agora nós pretendemos fazer projetos na comunidade com a arrecadação e dar algum lazer para os jovens”, explica a professora e festeira Cristiane de Assis Pereira da Costa, 43.


A missa ficou tão cheia que não havia mais lugares para se sentar e o povo, grato, levava marmelos e outros produtos da lavoura para receber a benção do padre. Depois do agradecimento chega a hora do almoço. A fila para degustar as iguarias do Quilombo dobrava o quarteirão enquanto as mãos que preparavam o alimento se apressavam para servir o cardápio. Arroz, feijão, carne, salada, mandioca, tudo feito no fogo a lenha com muito amor e dedicação. Enquanto os convidados aproveitavam o almoço no salão da igreja, já começava o leilão.


As doações da comunidade foram leiloadas uma a uma durante toda a tarde do ensolarado sábado (14/1), a cada grito as mãos se erguiam não para simplesmente adquirir algo, mas para ajudar o próximo. A mobilização, a cultura de servir e a devoção são marcas das festas do Mesquita e há anos vem conquistando cada vez mais e mais pessoas. Para incrementar também foram coroados o rei e a rainha do marmelo que receberam mudas da planta para dar continuidade a tradição. “O objetivo do desfile é valorizar a criança local e incentivar os filhos de produtores a continuarem trabalhando”, conta Cristiane, que relata as memórias de sua infância vendo seus pais e avós trabalhando e sempre festejando pela plantação do marmelo.

“Meu avô Benedito Antônio já fazia essa festa há mais de 90 anos. Não dessa forma que é feita agora, mas desde que era pequena vejo que todo ano na primeira quinzena de janeiro todo o quilombo festejava em suas casas a colheita do marmelo", lembra.


As festas que aconteciam nas casas deram origem a esse evento que acontece hoje. Quem quiser ver como era o Mesquita antes mesmo da Cidade Ocidental ser inaugurada basta acessar esse vídeo onde o meu avô Benedito mostra como se fazia marmelada em 1975. É um trabalho muito bonito e eu me emociono sempre que vejo e gostaria de compartilhar com todo vocês. Nós que fomos os festeiros dessa edição trabalhamos com muita garra enfrentamos todas as dificuldades em memória de meu pai Ranulfo Antônio que é falecido Há 24 anos. Quero homenagear minha mãe Santina Lemos e o seu Mauro Melo que foram os festeiros e dizer que essa festa foi maravilhosa, só temos a agradecer a Deus e a comunidade e dizer que no ano que vem tem mais”.

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