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Caminhada pela paz com Marina Silva

18 de out. de 2019
3 min de leitura

Depois do atentado contra o presidenciável nas eleições, Marina Silva organizou várias caminhadas pela paz, esta aconteceu em Brasília


A menina que nasceu no Acre, filha de seringueiros, alfabetizou-se aos 16 anos, trabalhou no seringal, foi empregada doméstica e passou por sérios problemas de saúde. Perdeu a mãe e duas irmãs precocemente para doenças que assolavam o local onde viviam. Mas, nada disso a impediu de ser uma das pessoas mais importes do ativismo ambiental no mundo.


Marcelo Mançano

Marina foi noviça, mas, não chegou a ser freira, porém muito religiosa sempre pregou a fé cristã. Aos 42 anos se converteu ao protestantismo, mas nunca misturou política com religião. Leva seus princípios para si com uma história de vida, porém a despeito de outros políticos evangélicos, não carrega a bandeira do conservadorismo, mas a da democracia e do Estado Laico.


Ao longo de sua carreira política, exerceu os cargos de senadora da República pelo Acre entre 1995 a 2011 e ministra do Meio Ambiente de 2003 a 2008, além de candidatar-se em 2010, 2014 e 2018 à Presidência da República. Foi ministra no governo Lula, porém suas ideias de preservação ambiental não foram aceitas por outras pastas gerando conflitos e ocasionando a saída de Marina do governo e do partido dos trabalhadores.


Filiou-se ao PV e depois fundou o próprio partido chamado Rede Sustentabilidade. Apesar de pessoalmente ser contra a descriminalização das drogas e do aborto, Marina defende que essas questões devem ser decididas por meio de plebiscito. Ela defende que suas crenças pessoais não podem interferir diretamente na vida dos brasileiros, mas que a democracia deve imperar até mesmo sobre suas crenças.


Sendo mulher, negra e de aparência frágil, Marina foi hostilizada durante a campanha eleitoral sendo chamada de fraca por seus opositores. “A minha força não está na minha aparência, mas na minha trajetória”, afirmou. Ao todo, Marina recebeu mais de 50 prêmios em todo o mundo por sua atuação em defesa do meio-ambiente.


Marcelo Mançano

Recebeu em Londres, no Palácio de Saint James, das mãos do príncipe Philip da Inglaterra, a "Medalha Duque de Edimburgo", por sua luta em defesa da Amazônia brasileira. Recebeu o prêmio da "Fundação Norueguesa Sophie", por seu trabalho em defesa da Floresta Amazônica. Recebeu da ONU o prêmio "Champions of the Earth", o maior prêmio concedido pela Organização, na área ambiental. Recebeu nos Estados Unidos o "Prêmio Goldman do Meio Ambiente pela América Latina e Caribe".


A convite do Comitê Olímpico Internacional, na abertura dos Jogos Olímpicos em Londres, Marina Silva desfila carregando a bandeira, com os anéis olímpicos, junto com o secretário geral da ONU, Ban-Ki-moon, o fundista etíope Haile Gebreselassie, o pugilista americano Muham mad Ali, o maestro argentino Daniel Barenboim, e os ativistas dos direitos humanos, Sally Becker, Shami Chakrabarti e Leymah Gbowee.


Marcelo Mançano

Politicamente falando, no Brasil foi perdendo popularidade pela agenda ambiental e democrática que propõe. Ela não se importa, “Prefiro pagar o preço de não ser eleita do que me omitir diante da situação de risco que o país se encontra”, afirmou. Na defesa dos povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, ela segue sua luta mantendo suas convicções e se mantém ativa mesmo não ganhando o pleito 2018.


“Uma das maiores riquezas do nosso país é sermos culturalmente diversos. E os povos indígenas são mestres em nos ensinar que nosso país não é monoglota. São cerca de 270 línguas faladas por 300 povos diferentes, totalizando mais de 800 mil indígenas. É preciso entender a importância da demarcação de suas terras, do reconhecimento dos seus diretos e do respeito aos seus modos de vida. A defesa e o reconhecimento dos direitos indígenas deve ser um compromisso de todos os brasileiros que lutam por um Brasil mais justo e sustentável”, disse.

Fotos: Marcelo Mançano

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