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Basquete: Paixão que enterra desafios

22 de jan. de 2020
2 min de leitura


Marcelo Buiu, Edgar, Ciro, Kenedy, Felipe, Emerson, Vitor, Vinícius, Rangel, Daniel (Braço), Alison, Kelvis e Marcelinho (apoio técnico), compõem a equipe que carrega os títulos que contam a história de três gerações de atletas que em meio às dificuldades mostram do que são capazes. A paixão pelo Basquete é sua maior motivação.


O time da cidade começou com a iniciativa de jovens que ainda na quadra do CEO, sonhavam com uma equipe profissional para representar a cidade. Com a falta de manutenção na quadra, Secão, Claudio, Geraldo, Rodrigão, Luizinho, Osvaldo e amigos continuaram os treinos na rua para que o basquete não acabasse, e foi aí que nasceu a segunda geração de atletas que daria continuidade a essa história. Depois da construção do ginásio Ayrton Senna o sonho dos meninos da quadra do CEO se concretiza e os troféus passam a ocupar espaço na prateleira dos garotos.


Edgar entrou no time em 1997 e é o veterano da segunda geração que ainda hoje compõe a equipe. “Nasceram vários jogadores na geração do Secão e eu sou um deles”, afirma. “Se tivéssemos parado diante das dificuldades, hoje não teria esse time com uma nova geração de atletas”, completa. Edgar conta ainda que além da tabela ter sido quebrada assim que foi inaugurado o ginásio, o basquetebol não tem encontrado espaço para treinos nem apoio. “Temos que nos juntar pra conseguir um pedaço de maderite, ou uma lata de tinta e usar a nossa mão de obra pra conseguir uma tabela pra treinar. Às vezes falta uniforme, condução, o dinheiro da inscrição do campeonato e até da alimentação”, desabafa.


O time que desde 1999 participa dos Jogos Abertos de Goiás é aclamado pelas torcidas em todo lugar que chega. A equipe ganhou respeito, admiração da LIBRA (Liga Internacional de Basquete de Rua) e da CUFA (Central Única das Favelas) onde são chamados Hot Boys e conhecidos pelo desejo de vencer e pela superação de todos os obstáculos. Eles reconhecem as dificuldades que o time enfrenta e vêem o surpreendente resultado dentro da quadra. “Às vezes passamos o dia inteiro comendo só bananas quando vamos disputar fora mas, quando entramos na quadra esquecemos de tudo, e arrumamos força pra vencer e representar a nossa cidade”, conta Marcelo Buiu.


A terceira geração de atletas do time foi deselegantemente homenageada com o troféu “Orgulho Nosso”, apenas dois integrantes da equipe foram lembrados pela organização do evento. “Fiquei muito feliz por ter recebido a homenagem, mas eu não poderia marcar as minhas cestas se os meus colegas não me passassem a bola. Somos uma equipe”, afirma Kelvis, o cestinha do time.


Os atletas afirmam precisar de ajuda pra conseguir um melhor desempenho. Questionados sobre o motivo da falta de apoio eles explicam “Eles marginalizaram o Basquetebol. Não importa a nossa roupa, o nosso cabelo e a nossa música, somos trabalhadores e desportistas” explica Buiu. O time de basquete de Cidade Ocidental é motivo de orgulho para toda a população e já está mais do que na hora de conseguirem o respeito que merecem.

Fotos: Claudio Reis

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