Morre Stan Lee, aos 95 anos
O gênio dos quadrinhos deixará uma multidão de fãs desconsolados e um legado imensurável na cultura pop do ocidente

Dia triste no mundo nerd. O gênio dos quadrinho que conquistou o mundo e revolucionou o entretenimento, divertiu crianças, jovens e adultos por 50 anos. Criador dos maiores personagens dos quadrinhos e do cinema, Stan Lee, deixou um legado inestimável na cultura pop ocidental.
Criador da Marvel Comics, sua imaginação era incansável. São tantos personagens e tantas histórias que fica difícil citar cada uma delas. Mas, entre tantas opções, cada um tem o seu herói favorito e se sente representado por pelo menos um do universo Marvel.

Estava em Los Angeles quando partiu deixando um história escrita com muita cor e ação, frutos de uma vida bem vivida e de uma conduta exemplar que deu base moral para formar o caráter das gerações que acompanharam seu trabalho.
Stan Lee viajou pela alma humana e fez críticas sociais muitas vezes imperceptíveis. A arte de se comunicar com qualquer público era dominada por ele de forma que se o expectador fosse uma criança pequena iria aprender sobre coisas simples e se divertir. E se fosse um sociólogo com doutorados poderia fazer uma tese inteira sobre o seu mais simples trabalho.

O universo Marvel é a maior expressão cultural da atualidade. Os personagens das séries Netflix, Os Defensores, como o Punho de Ferro, um monge budista que lida com a indústria tecnológica e fabricação de medicamentos. Ele denuncia o quanto o mercado explora as doenças e usa pacientes como consumidores para gerar lucro às suas empresas. Luke Cage, negro de periferia que lida com a violência do gueto e o combate ao crime. Ou Jéssica Jones, uma mulher que sofreu abuso e supera o trauma vencendo o abusador na série.

No Ex-Man ele aborda o tema de inclusão social. Com personagens diferentes do comum ele discute temas como a discriminação institucionalizada com direito a votação no congresso. As crianças aprendem a lidar com o diferente e entendem que as pessoas não precisam ser iguais ou se encaixar em padrões. É uma aula de tolerância e luta por igualdade de direitos.

Os Vingadores são em boa parte cientistas, para aqueles que não gostavam muito de matérias como química e física passam a se apaixonar pelo universo e querer entender cada vez mais do assunto. E se quiser conversar um dia com o Homem de Ferro, Hulk, Homem Aranha, ou Homem Formiga vai ter que pelo menos decorar a tabela periódica. Essa história se estende no Quarteto Fantástico onde as pesquisas continuam com muitas descobertas e tema da atualidade que englobam a comunidade científica contemporânea.

Lee humanizou os super-heróis e os colocou como pessoas que cometem erros e tentam reparar e ser melhores a cada dia. Tem suas fraquezas e muitas vezes se vestem dos seus maiores medos, como o Demolidor que é um católico com conflitos espirituais que se veste de demônio e luta para resolver seus dilemas internos enquanto faz o bem. As pessoas se identificam no dia a dia em suas lutas na vida e gostam de ver que seu trabalho é reconhecido no personagem.

O Pantera Negra é o ícone do empoderamento mostrando personagens negros, ricos, cientistas, detentores da mais alta tecnologia do mundo e sem desprezar sua cultura africana como as cores, cabelos e toda a riqueza ancestral que a cultura negra oferece.

Talvez alguns achem que quadrinhos e filmes de heróis é uma coisa infanto-juvenil, mas, a verdade é que o mundo que ele criou é muito melhor do que o que a maioria conhece e com base nos seus ensinamentos este em que seus fãs vivem pode se tornar um mundo muito melhor.
"O que eu fiz foi tentar escrever histórias que eu gostaria de ler. De um modo ou outro, funcionou", contou Lee.























Comentários