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Respeitável público! "O Grande Circo Místico" está em cartaz nos cinemas

12 de mar. de 2021
5 min de leitura


Estreou ontem (15), nos cinemas o filme que pode dar o Oscar para o Brasil, como melhor filme estrangeiro.

"É o melhor filme da minha vida", afirma o diretor Cacá Diegues.

Escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar, o novo filme de Cacá Diegues estreou nas telonas em todo o Brasil. Ele já havia sido apreciado no Festival de Cannes, Gramado, na Mostra de Cinema de SP e no Festival do Rio, agora está disponível nos melhores cinemas do Brasil para o público acima de 16 anos.


O filme conta a história de cinco gerações que de uma família que se sucederam no circo

Depois de 18 filmes consagrados tendo entre eles “Xica da Silva” e “Bye Bye Brasil”, Cacá Diegues ficou 12 anos, Cacá ficou sem produzir filmes. Parece que estava acumulando inspiração para fazer o grande filme de sua vida,“É o meu melhor filme”. disse. Com auxílio de Chico Buarque e Marcos Frota, o autor pode dar vida à história deixando o filme com a sensibilidade necessária para falar de um tema tão ambíguo como o circo, que traz consigo ao mesmo tempo a beleza da arte e a obscuridade dos bastidores.

Baseado na história de um circo austríaco, o diretor fez adaptação de musical lançado em 1983

O filme conta a história de cinco gerações de uma mesma família circense. Da inauguração do Grande Circo Místico em 1910 aos dias de hoje. Um personagem especial foi criado para linkar essas gerações, Celavi tem um dom especial, ele não envelhece e por isso, pode presenciar as cinco fases do filme que narra as sucessões familiares em todas as fases da trama. Dentre amores e horrores, o filme mostra o circo Knieps do seu apogeu até a decadência mostrando um final surpreendente com um desfeche místico.

O filme está em cartaz nos cinemas e vai representar o Brasil para concorrer ao Oscar.


Ficha técnica: Direção: Carlos Diegues - Coprodução: Luz Mágica, Uns, Globo Filmes -Distribuição: H2O - Roteiro: George Moura e Cacá Diegues - Produção Executiva: Renata Almeida Magalhães - Direção de Fotografia: Gustavo Hadba - Elenco: Jesuíta Barbosa: Celaví - Bruna Linzmeyer: Beatriz - Rafael Lozano: Fred - Catherine Mouchet: Imperatriz - Antônio Fagundes: Dr. Frederico - Vincent Cassel: Jean Paul - Marina Provenzzano: Charlotte - Juliano Cazarré: Oto

O musical nasceu da poesia de Jorge de Lima publicada em 1938

Jorge de Lima - Autor do poema Grande Circo Místico

Tudo começou ao final da década de 1930 quando o poeta Jorge Lima (23 de abril de 1893 - 15 de novembro de 1953) lançou o livro “A Túnica Inconsútil” contendo o poema “O Grande Circo Místico”. O poema foi inspirado em um fato real que aconteceu na Áustria durante o século XIX. A família austríaca era proprietária do Grande Circo Knieps onde um aristocrata e uma acrobata viveram um grande amor.

Jorge de Lima foi um político, médico, romancista, biógrafo, tradutor, pintor, e poeta parnasiano/modernista.

O poema virou um musical apresentado pelo Balé Teatro Guaíra, de Curitiba em 1983 e por encomenda, Chico Buarque e Edu Lobo criaram a trilha sonora para a apresentação do espetáculo que somava poesia, dança, teatro e ópera. O espetáculo tinha roteiro de Naum Alves de Souza e foi um sucesso que originou uma turnê de dois anos pelo país, assistida por mais de 200 mil pessoas, em quase 200 apresentações. Consagrou umas das mais completas obras já apresentadas no país, lotando o Maracanãzinho e o Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Tinha mesmo que virar filme.



Espetáculo lançado no Brasil na década de 1980 foi baseado no poema de Jorge de Lima

Poema "O Grande Circo Místico", de Jorge de Lima

O médico de câmara da imperatriz Teresa – Frederico Knieps

– resolveu que seu filho também fosse médico,

mas o rapaz fazendo relações com a equilibrista Agnes,

com ela se casou, fundando a dinastia de circo Knieps

de que tanto se tem ocupado a imprensa.

Charlote, filha de Frederico, se casou com o clown,

de que nasceram Marie e Oto.

E Oto se casou com Lily Braun a grande deslocadora

que tinha no ventre um santo tatuado.

A filha de Lily Braun – a tatuada no ventre

quis entrar para um convento,

mas Oto Frederico Knieps não atendeu,

e Margarete continuou a dinastia do circo

de que tanto se tem ocupado a imprensa.

Então, Margarete tatuou o corpo

sofrendo muito por amor de Deus,

pois gravou em sua pele rósea

a Via-Sacra do Senhor dos Passos.

E nenhum tigre a ofendeu jamais;

e o leão Nero que já havia comido dois ventríloquos,

quando ela entrava nua pela jaula adentro,

chorava como um recém-nascido.

Seu esposo – o trapezista Ludwig

– nunca mais a pôde amar,

pois as gravuras sagradas afastavam

a pele dela o desejo dele.

Então, o boxeur Rudolf que era ateu

e era homem fera derrubou Margarete e a violou.

Quando acabou, o ateu se converteu, morreu.

Margarete pariu duas meninas que são o

prodígio do Grande Circo Knieps.

Mas o maior milagre são as suas virgindades

em que os banqueiros e os homens

de monóculo têm esbarrado;

são as suas levitações que a platéia pensa ser truque;

é a sua pureza em que ninguém acredita;

são as suas mágicas que os simples dizem que há o diabo;

mas as crianças crêem nelas, são

seus fiéis, seus amigos, seus devotos.

Marie e Helene se apresentam nuas,

dançam no arame e deslocam de tal forma os membros

que parece que os membros não são delas.

A platéia bisa coxas, bisa seios, bisa sovacos.

Marie e Helene se repartem todas,

se distribuem pelos homens cínicos,

mas ninguém vê as almas que elas conservam puras.

E quando atiram os membros para a visão dos homens,

atiram a alma para a visão de Deus.

Com a verdadeira história do grande circo Knieps

muito pouco se tem ocupado a imprensa.

(A Túnica Inconsútil – 1938)

Trilha sonora de Chico Buarque e Edu Lobo: Um filme que você pode ver com os olhos fechados

A trilha sonora é de nada menos que Chico Buarque e Edu Lobo. Produzida e gravada para o musical na década de 1980 virou disco e foi lançado pela Som Livre em 1983, foi interpretada por Milton Nascimento, Gal Costa, Simone, Zizi Possi entre outros. O grande clássico Beatriz, a canção se eternizou na voz de Milton Nascimento (e ganhou uma nova roupagem atualmente com Ana Carolina), porém foi feita especialmente para agraciar a história do circo escrita pelo poeta. A História de Lily Braun (atualmente gravada por Maria Gadú), também foi feita especialmente para o espetáculo e na voz Gal Costa ganhou os palcos e agora as telas de cinema. No filme, Bruna Linzmeyer faz a Beatriz . Os fãs da MPB não podem perder esse espetáculo, aliás esse filme.


Beatriz interpretada no filme por Bruna Linzmeyer

No filme, Bruna Linzmeyer faz a Beatriz . Os fãs da MPB não podem perder esse espetáculo.


Abertura do Circo

Instrumental

Beatriz

Milton Nascimento

Valsa Dos Clowns

Jane Duboc

Opereta Do Casamento

Coro

A História de Lily Braun

Gal Costa

Oremus

Coro

Meu Namorado

Simone

Ciranda Da Bailarina

Coro Infantil

Sobre Todas As Coisas

Gilberto Gil

O Tatuador

Instrumental

A Bela e a Fera

Tim Maia

O Circo Místico

Zizi Possi

Na Carreira

Chico Buarque & Edu Lobo

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