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Bloco Vai Quem Quer realiza a sua 4° edição

18 de out. de 2019
5 min de leitura

A concentração do Bloco Vai Quem Quer esquentou os foliões na Praça Santo Antônio na terça-feira de carnaval. O sol ainda brilhava quando os tambores começaram a soar indicando que o arrastão havia começado. Em cima do trio a banda puxava a multidão que desfilou por toda a avenida em referência aos antigos carnavais. Carol Lopes, 30, reside da S.Q. 17 já participa do bloco há dois anos e afirma, “É muito bom poder brincar o carnaval na companhia da minha da minha família e perto da minha casa”.


O artista plástico Robson Siqueira confeccionou junto com as artesãs Elizabete e Euvira Izídio, bonecos da noiva do lago, antiga lenda urbana da cidade e do Vovô Ozório que representou os pioneiros do carnaval. Os personagens resgatavam a identidade e cidadania do morador enquanto Matheus Henrique dava vida ao boneco da noiva que brincava com os foliões. Os carnavalescos da velha guarda assistiram de camarote ao espetáculo. “Ver a nova geração se levantar e fazer reviver o carnaval nos deixa muito felizes”, contou Helber Fernandes Carvalho.


Cerca de 400 pessoas caíram na folia e o bloco chamou a atenção de quem estava dentro de casa. “Quando ouvi o som da música chegando trouxe meu filho pra assistir o bloco passar. Graças a Deus está tudo em paz!”, afirmou Vera Lúcia Lima, 45, residente do centro da cidade.


A animação do trio ficou por conta do cantor, instrumentista e artista cênico, Wily Oliveira que acompanhado pela banda levou a multidão por toda a avenida até a feira coberta onde a festa continuou. Em desabafo, ele afirmou que apesar da falta de incentivos destinados à classe artística, ainda vale a pena sair de casa para fazer o carnaval acontecer, pois, segundo ele, sem os músicos não há festa e nem alegria.


“Quando nos reunimos para organizar a edição desse ano encontramos apoio para melhorar o som e fomos bem recebidos pela festa da prefeitura que nos colocou na programação oficial. E foi o suor de entusiastas e artistas que além de sambarem na avenida, imbuíram força, tempo e disposição para proporcionar à comunidade a festa linda que aconteceu”, contou Alyne, integrante do grupo que organizou a saída o bloco.


A vereadora Kedma Karem forneceu o trio para que os músicos puxassem o coro com as consagradas marchinhas, além de canções regionalistas como o frevo e do maracatu. “Essa iniciativa do movimento cultural resgata a tradição do carnaval da cidade que por muito tempo ficou esquecida”, disse Kedma que desfilou junto com o bloco acompanhada de seu filho.


O Subcomandante da Guarda Civil Municipal (GCM), Marcio France comandou a operação de segurança e afirmou: “A iniciativa é positiva. Fazia tempo que não havia nada assim na cidade e nós estamos aqui a pedido do prefeito Fábio Correia para garantir a ordem e a segurança do evento”.

Abre alas que eu quero passar

O bloco Vai Quem Quer é uma manifestação cultural popular que mantém tradição há quatro anos e pretende agregar todas as classes e sem distinção de cor, gênero ou crença. Um dos idealizadores do projeto, professor Wesley Oliveira, explicou que a ideia de fazer o bloco surgiu em um momento em que os artistas da cidade se organizaram para discutir a falta de incentivo à cultura. “Nós dependíamos de pegar um ônibus e ir para Brasília curtir o carnaval. Então resolvemos dar um basta e fazer o bloco”, explicou.

Wily Oliveira, pioneiro no movimento, compositor e vocalista do grupo Bala de Cocô, contou como tudo começou, “No início, vi o bloco como a oportunidade de mostrarmos nosso movimento na rua, de tornarmos a nossa avenida, a rua dos encontros e da felicidade, para toda a comunidade”.

Só quem esteve presente nos anos anteriores sabe o quanto foi difícil chegar à 4º edição. Mas, apesar das dificuldades o bloco se manteve resistente e nunca perdeu o ritmo. No primeiro ano não havia nenhum incentivo além da ajuda dos amigos Anderson Soin e Ademilson Kalunga. “O pessoal ajudou e saímos com o som do carro ligado puxando o bloco”, lembra Dudu Guerreiro. Isso foi o suficiente para consagrar o bloco que apesar de simples, era o único foco de carnaval na cidade. A iniciativa foi válida e o público pediu mais. Com o lema: Quem tudo quer nada tem! O bloco seguiu sabendo de teria que dar um passo de cada vez para chegar a algum lugar.

No ano seguinte, já com estandarte pronto, a coisa complicou ainda mais! O carrinho de venda de CDs e DVDs do Leonilson foi na frente tocando as músicas para animar o grupo. Não foi preciso mais que isso! Com toda criatividade e animação o movimento cultural dos artistas resistiu mais uma vez e o lema de 2015 foi “Se tu não quer: tem quem queria!” E com senso de humor eles seguiam manifestando-se de forma natural e espontânea.

Em 2016, um contato com os antigos carnavalescos fez com que alguns instrumentos chegassem até o grupo e a batucada tomou conta do bloco. O carro de som do Pedrão acompanhou os foliões e a banda improvisada dava o ritmo para animar a festa. Zé Carlos, ritmista da bateria contou como teve a ideia de unir as antigas gerações do samba ao bloco. “Quando eu aprendi a tomar gosto pelo samba, às referencias que eu tinha eram os sambistas mais antigos, então fomos até eles, ouvimos suas histórias e firmamos a parceria”, lembrou. “Quem tá fora quer entrar, mas quem tá dentro não sai” foi o lema que enredou esse samba.

A edição de 2017 pode perceber a evolução da bateria. Rodrigo Ribeiro, um dos organizadores do evento, que também faz parte da comissão de frente e é um grande incentivador do bloco. Ele teve a ideia de trazer os metais e completou a banda que trouxe o frevo, o samba e o maracatu para o carnaval ocidentalense. Os músicos que participaram suaram a camisa para fazer do evento uma grande festa ao som dos tambores e instrumentos de sopro. “Quem não Kiss vai querer” foi o lema deste ano e o amor foi o principal ingrediente para fazer dessa receita um sucesso.

E em respeito aos colaboradores que fizeram essa festa acontecer e que não serão listados um a um, mas que serão lembrados e guardados no coração do bloco os idealizadores do movimento fazem uma homenagem a todas as marias e os joões que doaram o seu trabalho para que essa festa acontecesse. E que todos estão abertamente convidados a participar e a somar forças para desenvolver de forma natural e espontânea segundo a expressão cultural de cada um. Porque essa festa é de todos, a liberdade é garantida e neste bloco Vai Quem Quer!

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