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Cavalgada do Marmelo é retirada do Quilombo Mesquita

12 de mar. de 2021
3 min de leitura

Todos os anos a Cidade Ocidental é agraciada com visitantes de várias cidades e estados brasileiros para a Cavalgada do Marmelo. Apesar do centro da cidade ser urbanizado, com prédios, bancos, e supermercados, os moradores já estão habituados a verem cavalos transitando pelas ruas da cidade.


A religiosidade acompanha os cavaleiros e amazonas que peregrinam por essas bandas em várias épocas do ano. Sempre que acontecem os pousos de folia no Quilombo Mesquita, eles retornam a região para comemorarem as colheitas e agradecerem as bênçãos dos céus. As comitivas são variadas e algumas femininas dão um toque especial.



A cavalgada do Marmelo foi criada em com o intuito de divulgar a Festa do Marmelo que acontece todo mês de janeiro na Igreja de Nossa Senhora da Abadia do Quilombo Mesquita. O evento recebe centenas de turistas e moradores da região que vem para degustar a Marmelada de Santa Luzia e conhecer mais sobre a cultura do Marmelo. A festa abriga missa, almoço com bingo e leilão, corrida, passeio ciclístico e a cavalgada. São eventos distintos mas, que juntos formam uma grande comemoração a maior tradição local que é a Marmelada de Santa Luzia produzida há mais de dois séculos.

Criada em 2004, com o intuito de divulgar a Festa do Marmelo, as cavalgadas fazem toda a animação da festa e geram grande movimentação.


As cavalgadas podem ter várias finalidades, dependendo da intenção dos que a praticam. Ela pode ser esportiva, cultural ou religiosa. Os sertanejos iniciaram as cavalgadas no Brasil por motivo de trabalho. As cavalgadas surgiram durante o processo de ocupação de territórios, entre os séculos 17 e 18, para conduzir gado de uma local para outro. Esse processo também contribuiu para a domesticação dos animais. Nos períodos de descanso surgiam as comemorações.

Os tempos passaram e a cavalgada virou cultura, esporte, diversão e celebração da amizade. Hoje, vários grupos se reúnem para cavalgar e realizar eventos com shows e grandes festas. As Cavalgadas servem de interação entre o campo e a cidade. Muitas vezes, por morarem mais afastados, os sertanejos não têm o seu valor reconhecido, mas, eles são responsáveis por grande parte da economia e pelos alimentos que chegam à mesa do cidadão. A cavalgada impõe esse valor e resgata a cultura rural nas áreas urbanas de todo o Brasil.

A benção dos cavaleiros acontece na Capela da Nossa Senhora da Abadia no Quilombo Mesquita

As cavalgadas femininas são comuns hoje em dia, e representam o papel da mulher sertaneja nas atividades rurais. É importante lembrar que as cavalgadas não são uma cultura da igreja, apesar dos cavaleiros e amazonas serem, em sua maioria, pessoas de fé católica. Para interagir com o movimento, a igreja faz a benção dos cavaleiros antes da saída e a comunidade os recebe à noite para pousar e festejar. Eles sempre realizam um baile para comemorar após os eventos religiosos.


Comitiva 100 Futuro e as Brutas e Diferenciadas são uma das mais animadas da festa.


No Quilombo Mesquita, a cultura do cavalo tem origem nos pousos de folia quando os foliões iam fazer o giro a cavalo. Saía a comitiva com as bandeiras para rezar nas casas e preparar a Festa do Divino e as folias dos santos, aos quais eram devotos. É importante diferenciar as cavalgadas das tradições religiosas, pois, apesar de caminharem juntas, têm vertentes diferentes. A cavalgada é uma cultura que deve ser preservada em sua essência. Com ponderação, toda diversão é boa e bem aceita e os cavaleiros fazem parte dessa cultura. Não dá pra imaginar a Festa do Marmelo sem eles!


Denúncia


Na gestão 2017-2020, houve uma tentativa de usurpação da cultura quilombola. A Cavalgada e a Festa do Marmelo foram retiradas do Quilombo e levadas para Luziânia. o colonialismo ainda persiste em tentar esfacelar as tradições atribuindo toda a cultura a fazendeiros brancos. Uma covardia sem tamanho com os descendentes de escravizados que estão na região há mais de 300 anos e tiveram a sua cultura subjugada. Guardaram as tradições que aprenderam aqui, construíram tudo com seu suor e trabalho coletivo. Mas, constantemente sofrem ataques para perder o seu legado cultural. A comunidade resistiu e fez outra festa paralela com adesão da comunidade. No quilombo Mesquita cada ação é uma vitória depois de uma grande batalha. Quilombo Mesquita é tradição, força e resistência.


Este cartaz publicado pela prefeitura municipal mostra a tentativa de usurpar a Festa do Marmelo da comunidade Mesquita mudando o itinerário da festa. Eles levaram para Luziânia com retorno para o centro da Cidade Ocidental.



Fotos: José Assis Andrade - 10ª Cavalgada do Marmelo - percurso Quilombo Mesquita até o Centro da Cidade Ocidental.




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