Corrida do Marmelo, uma história de superação através da fé e do esporte
O ano era 2006. O lugar, Quilombo Mesquita. No coração a medalha, brilhando no peito de um corredor e o sonho de construir um templo para adorar a santa protetora do Marmelo.

A história do Quilombo Mesquita tem as suas peculiaridades, dentre elas, a criação da Festa do Marmelo, evento que leva o nome da Cidade Ocidental para todo o Brasil divulgando a tradicional Marmelada de Santa Luzia. Depois da terceira edição da festa e do sucesso que fazia o doce, moradores viram a necessidade de expandir a cultura local e construir, em agradecimento à padroeira do Mesquita, um templo que abrigasse os fiéis que vinham de toda parte agradecer pelos feitos e pela plantação. Estava criada a Comissão de Construção do Santuário de Nossa Senhora da Abadia.

Neste contexto sociocultural, as demandas pediam que algo fosse feito para os jovens da região que arrebatados pela violência e pelas drogas se perdiam preocupando suas famílias e a toda comunidade. A necessidade, a fé e os anseios da população deram origem a ideia de se fazer uma corrida que pudesse ao mesmo tempo ajudar os jovens, divulgar a marmelada e contribuir financeiramente para a construção da igreja. Surgia então a corrida do Marmelo.

Um conhecido corredor e membro da comissão, ficou responsável pela organização da primeira maratona com destino a realização de um sonho. PC Marmelo, que já era conhecido pelo hábito de correr e participar de maratonas já era especialista no assunto. Com ajuda de Elizaldo e Edleuza Bezerra, donos da academia Shai-Kan, as inscrições foram feitas e 59 atletas participaram da 1ª edição da corrida durante a 4ª Festa do Marmelo no ano de 2006. Quem levou o prêmio para casa foi Lindemberg Gomes Nunes, renomado atleta e vencedor de várias maratonas, mas quem venceu foram todos os que contribuíram para que a corrida acontecesse.

Com o passar dos anos a corrida cresceu, a capela foi construída, o fruto foi divulgado e apesar de fazer parte do calendário nacional e atrair centenas de atletas, atualmente, o evento não está sendo organizado pelo Quilombo Mesquita, mas pela Secretaria de Esportes da cidade.

Infelizmente, a corrida não faz mais parte da tradição da Festa do Marmelo no Mesquita. Os atletas se concentrando na Paróquia Santo Antônio e chegando no Santuário de Nossa Senhora da Abadia são cenas que ficaram somente na lembrança dos que sonharam um dia ser vitoriosos não só no esporte, mas também na vida.

Corrida do Marmelo muda a rota e se perde no caminho
Pelo segundo ano consecutivo a Corrida do Marmelo sai da sua rota original e ganha outros ares, mais urbanos e mais políticos. A corrida tem sido realizada na rota contrária ao Quilombo Mesquita, onde foi criada, para desaguar às margens do lago Jacob. A intenção da corrida era que a largada fosse (como sempre foi), na Paróquia Santo Antônio e a chegada no Santuário de Nossa Senhora da Abadia, para que os atletas pudessem participar da Festa do Marmelo que acontece no mesmo dia.
Nos anos anteriores, a chegada dos atletas animava a festa e divulgava a zona rural da cidade onde fica o plantio do fruto e a produção da Marmelada. Os moradores do Mesquita já tinham passado por isso em 2010, na 5ª edição, quando o percurso foi alterado e a corrida aconteceu na zona urbana da cidade. No ano seguinte, repensada a história e recobrada a consciência dos organizadores, a corrida voltou às origens passando a ter como ponto de chegada a Festa do Marmelo no Mesquita onde, no momento em que ocorre a premiação está sendo servido o tradicional almoço com comidas típicas preparadas pelas fiéis do santuário voluntariamente, para ajudar na construção e manutenção da capela da padroeira do marmelo.
No ano de 2008, a corrida virou Lei e passou a fazer parte do calendário oficial da cidade dando poderes à prefeitura para organizar o evento. Desde então, é opcional ao prefeito municipal respeitar ou não às tradições e costumes do povo do Quilombo Mesquita. Neste ano correram 396 atletas a R$60 o valor da inscrição o que equivale a R$ 23.760 segundo a HP Cronometragem, empresa contratada pela prefeitura para organizar a corrida. A arrecadação das inscrições da corrida vão para os cofres públicos e não há informação do que é feito com essa verba arrecadada no evento.
“Nós criamos a corrida para divulgar a zona rural, a marmelada, e também para ajudar a nossa comunidade e o santuário da padroeira”, afirma uma das voluntárias, “os atletas fazem falta aqui, é muito triste o que está acontecendo”, conta. “Nós queremos que volte a ser a a ser como antes e temos fé na nossa santa que em pouco tempo, tudo vai voltar ao normal. Deus sabe de todas as coisas e com fé vai dar tudo certo”, explica a moradora.
Veja documentos da época cedidos pela comunidade quilombola que comprovam a origem e intuito da corrida.

Cartaz da festa anunciando a 4ª Festa do Marmelo destinada a construção do templo de Nossa Senhora da Abadia localizado no quilombo Mesquita, portanto a festa não pode ter ligação alguma com a cidade de Luziânia.

Arte da camiseta usada na primeira Corrida do Marmelo foi guardada pelo organizador PC Marmelo e e faz parte do arquivo histórico da comunidade quilombola.

Documento comprovando a rota e a organização da corrida assim como participantes e premiação.

Documento comprova destino da verba arrecadada na corrida para a construção do santuário da comunidade Mesquita e assinatura dos organizadores PC Marmelo e Prof Elizaldo da Academia Shai-Kan.






















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