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Espaço de Memória do Quilombo Mesquita

12 de mar. de 2021
3 min de leitura

A antiga capela foi transformada em um Espaço de Memória da Comunidade Remanescente de Quilombo Mesquita. A igrejinha passa por uma reforma e o museu está temporariamente fechado. Em breve será reaberto e voltará a receber visitantes. A curadora do Espaço de Memória é Célia Braga, uma das lideranças mais importantes do Quilombo. Ela exerce o cargo de coordenadora de eventos da Capela de Nossa da Abadia, e por isso está a frente de toda a cultura religiosa do quilombo.



Festas como as Folias do Divino, Reis, Nossa Senhora da Abadia e Nossa Senhora Aparecida. Assim como a Festa do Marmelo, cavalgadas, e novenas são de responsabilidade dela. O patrimônio cultural é guardado por Célia Braga desde que começou a arrecadar objetos antigos com familiares. "Em 270 anos de história, eu criei com a ajuda da comunidade, um espaço de memória para fortalecer a nossa identidade quilombola", conta Célia.



Quem vai à Festa do Marmelo, se depara com este ponto de visitação que conta a história da Comunidade de Mesquita através de objetos antigos, doados pela comunidade.


A antiga capela que deu lugar ao novo templo construído foi transformada no museu da Comunidade de Mesquita. O acervo traz objetos dos tempos remotos mostrando o quão antigos são os moradores da região. O Mesquita é tão antigo que é mais antigo que Luziânia, então há muita história para contar sobre essa família que se iniciou pequena e agora cresceu e se multiplicou.



Fotografias e objetos fortalecem a memória.


Objetos antigos mostram como era a vida da comunidade. “Lá, em Luziânia, quando ainda era Santa Luzia, havia muito ouro. Dizem que quando os portugueses e povo de São Paulo vieram para essas terras, eles acharam ouro no Rio Vermelho a ali ficaram até o ouro acabar. Mas eles não garimpavam. Quem garimpava era o povo que eles buscavam lá da África para trabalhar. Esse povo garimpou e construiu tudo que tem ali. Na Igreja do Rosário, está enterrado Pereira Braga e isso é a prova que aqui há descendentes de escravos de Luziânia. Diz o povo que debaixo da Igreja do Rosário, em Luziânia, há um túnel por onde os africanos fugiam e se escondiam no mato, mas ninguém sabe se é verdade.


Entretanto, a verdade que todo mundo sabe é que no Mesquita há pessoas desde aquele tempo quando Luziânia ainda estava sendo construída. Há cemitérios aí para todos os lados com gente muita antiga dentro deles. E é lá que se esconde a boa parte da história. Mas, aqui no espaço de memória, a história não fica escondida. Fica aí a mostra para todo mundo ver que a história de um povo que trabalha, ninguém apaga e nem proíbe de contar.”


A ideia de criar o espaço de memória partiu de Célia Braga, que hoje é responsável pelo acervo. Um a um dos objetos foram resgatados e todos trazem uma história, “Essa máquina de costura foi doada pela minha prima e era da avó dela”, ela conta que naquela máquina foram feitas as roupas que vestiram a comunidade por muitos anos. O Memorial já recebeu visitantes do exterior, embaixadas e universidades. Basta agendar a visita.



Desde a vinda da capital para a região a comunidade passou por várias mudanças e tem tido dificuldades para preservar sua cultura e identidade. Até mesmo dentro da comunidade há resistência quanto ao reconhecimento da descendência africana. Muitos sentem vergonha por terem sido tratados com diferença desde criança nas escolas, na sociedade como um todo. E outros sentem medo das perseguições que possam sofrer ao reconhecer sua identidade quilombola. A família Pereira Braga luta pelo direito de preservar a própria história e de seus ancestrais.


A antiga capela está passando por reforma e em breve o Espaço será reinaugurado e aberto para visitação.


Célia Braga mostra orgulhosa o Espaço de Memória inserido na mapa dos museus com acervo da diáspora africana no Brasil.



Conheça um pouco do acervo na galeria.

Fotos: Jack Lima e Marcelo Mançano Aro



Exposição externa do Espaço de Memória do Quilombo Mesquita na #FestaDoNgolo




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