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Novena de São Sebastião no Garapa chega a quinta geração de devotos.

12 de mar. de 2021
5 min de leitura

Noveneiros dão um grande baile com direito a bingo e leilão na Fazenda Garapa. A tradição perdura há 168 anos. O baile aconteceu logo após a novena realizada na capela da Fazenda Garapa.


A festa dedicada ao Santo reuniu familiares, amigos e visitantes. Com baile, leilão, bingo e jantar à noite foi uma das mais animadas da história da cidade. Mas, antes da diversão, os devotos cumprem devotamente as obrigações com a fé.


A novena



As preparações são muitas. O trabalho é exaustivo, mas o esforço vale a pena! Para manter a tradição do Garapa e ensinar as novas gerações a seguir a fé, a devoção e a comunhão passada através das gerações.






















Dias antes da Festa começar, Tio Carlos, como é chamado na Igreja Católica, já começou a fazer as obrigações de festeiro. Ele limpa, cuida, zela pelo templo e pelo salão da igreja que receberá visitantes de toda a região durante os 10 dias da Festa de São Sebastião.



O costume de rezar a novena nesse período do ano vem dos antepassados. Muito ligada a Luziânia, a cultura começou ainda nos tempos de Santa Luzia e nunca deixou de acontecer desde então. Os pais ensinaram os filhos e netos, que ensinaram seus filhos e netos. E o costume já alcançou as crianças de nova geração da tradição do Garapa.



A Capela do Garapa não é ligada à Paróquia Santo Antônio, mas à Paróquia de São João Batista e Santa Clara, do bairro Jardim ABC. Padre Robério explica que chegou há pouco tempo e ainda não conhecia a tradição. "É a primeira vez que venho. Estou gostando muito e ansioso pelo jantar", brinca.


O cardápio é de primeira e feito por mão de obra dedicada. Depois de abençoar a comida o simpático pároco arrancou risadas de todos quando trocou o "amém" por um caloroso "atacar" no final da benção!


O jantar é gratuito e a fila é grande. É preciso muito trabalho voluntário para conseguir atender aos visitantes. A salada é feita com a própria colheita local. "Essas mangas, eu trouxe lá de casa", afirma Sávio Meireles, morador do Garapa. E vamos em frente que atrás vem gente. A novena já conta com mais uma geração de aprendizes que prometem continuar a tradição.




A nova geração


Noveneiros, catireiros e marmeleiros em potencial. A fé pura das crianças e a admiração pelos mais velhos faz brilhar nos olhos a paixão pela cultura familiar e pelos ensinamentos religiosos.



"Ensina o teu filho o caminho que ele deve andar, e quando crescer não se desviará dele", essa é a sabedoria bíblica que fez com que a Novena de São Sebastião se tornasse a festa mais antiga da cidade. Na foto, a mãe ensina seu filho a beijar a fita e o pai conduz a criança até o altar. Os pequenos são a quinta geração da Festa de São Sebastião do Garapa.


Daniel Meireles, tem apenas 10 anos, com o rosário nas mãos ele ouve atento as palavras proferidas pelos familiares mais antigos. "Eu já sei rezar a novena", conta Daniel. "Minha mãe, Lisandra e minha vó, Neuza me ensinaram", lembra o garoto de Luziânia que acompanha os pais na novena desde o nascimento. Aos 10 anos de idade, Daniel já leva a sério a devoção no santo e a fé em Deus. Ele pretende passar adiante a tradição e ensinar os que vierem depois dele.


Lucas Melo tem 12 anos. O filho de Mario Melo e Marina Couto conta como aprendeu em casa a manter a fé a tradição. "Minha mãe quer que a gente continue rezando pra continuar a tradição da família", conta. Ele explica que gosta de fazer coisas de criança, mas que não deixa de lado as tradições dos pais. "Primeiro a gente reza e assiste a 'Canção Nova' todinha. Aí depois eu coloco no desenho", explica.



Davi Rafael Melo Batista, 10 anos, conta que é filho de Rafael Resende e Viviane Melo. "Eu ainda não sei fazer mamelada, mas o meu primo sabe. Eu ainda vou aprender", deixa claro.


Guilherme Curado Batista tem 11 anos e muito estilo. "Eu sei dançar catira. Tenho um pouco de vergonha", conta risonho e um pouco sem jeito. Os amigos confirmam que ele é craque no assunto e que leva jeito com a dança. Se depender deles, essa tradição não vai acabar tão cedo.


Tio Carlos cumpriu sua missão. Mesmo com tantas dificuldades. O esforço valeu a pena. Mais uma geração foi tocada pela tradição do Garapa. Fica a pergunta: Os filhos de Daniel vão conhecer essa tradição?


Incentivo e resgate cultural


Tio Carlos explica que a demanda da festa é grande e que não há estrutura e recursos humanos para receber tanta gente. "Sempre deu certo, mas eu prefiro não divulgar a festa porque são muitos que vem pra festar e somos poucos para atender a todos que chegam.


É preciso criar políticas de incentivo para atender a demanda cultural da zona rural, que muitas vezes é deixada de lado. Se no centro da cidade já é difícil fazer cultura, nos locais mais distantes realizar um evento desse porte se torna muito mais difícil. E a atenção das autoridades locais não é devidamente empregada. O evento foi de forma independente e contou com alguns poucos apoios do comércio e de amigos próximos.


“Essa é uma das festas mais tradicionais da região. O Garapa é um lugar de pessoas maravilhosas, assim como é a Cidade Ocidental que abriga um povo de muita devoção. Nós temos o prazer de contribuir para que essa tradição nunca acabe. Hoje nós viemos aqui pedir as bençãos de São Sebastião e enquanto eu tiver vida não deixarei de participar dessa linda festa”, disse o deputado federal Dr. Célio Silveira.


Os políticos luzianenses têm mais identificação com as tradições antigas da Cidade Ocidental do que os que governam dentro do município. O motivo é que o Garapa é muito mais antigo que o centro da cidade e só quem tem consciência do valor histórico do Garapa, que fazia parte do Arraial de Santa Luzia, pode compreender a importância do resgate dessas tradições. Estudar a região é fundamental para preservar a cultura e o legado histórico da Cidade Ocidental.


A antiga capela será reformada e reativada pelas irmãs que residem no condomínio Alphaville.



A festa


Depois da oração, a comunhão. O baile reúne os familiares e amigos para confraternizar depois que acaba a celebração na capela. O bingo e o leilão arrecadam donativos para a igreja e para custear o evento. Animação e gente bonita não faltou na confraternização que acontece tradicionalmente no sábado a noite.


A alegria tentava superar a falta de alguns entes queridos que não puderam comparecer por causa de enfermidades. Foi também o primeiro ano sem Juca, o patriarca do Garapa. Colocadas as preocupações e dores no altar, a família se ergue para manter sua identidade que foi ensinada pelos que estavam ausentes.


Turismo


Na estrada que dá acesso à Fazenda, carroças com sertanejos esperam baixar a poeira dos carros que disputam vagas no estacionamento. É a junção da cidade com a zona rural acontecendo através das festas e tradições da igreja.



"Vem gente de todo lugar", afirma a moradora do centro da Cidade Ocidental. "Brasília, Taguatinga, Luziânia. Todo mundo que gosta desse estilo sertanejo vem pra cá. Na cidade toca muita música eletrônica, funk. Nós gostamos de bailão. Onde tiver esse tipo de festa nós vamos".

A comunidade Mesquita também comparece em massa. As filhas de Zé de Dito embelezaram a festa sem deixar a fé de lado.


A música fica por conta da equipe Dj Jaja. Dj Demir e Dj J Leno tocando sertanejo e bailão. A festa dá oportunidade de lazer a jovens do Mesquita e da Cidade Ocidental, além de receber turistas de várias cidades do Entorno e Distrito Federal. E como dizem... E segue o baile! Pra quem aguenta! Porque a equipe do Identidade encerra por aqui. Confira as fotos na galeria:


Leia também:

A História da novena de São Sebastião, Tradição que une gerações.



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