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História do Quilombo Mesquita (Resumo)

12 de mar. de 2021
4 min de leitura

Tudo começou quando Antônio Bueno descobriu as minas de ouro em Goiás. Para trabalhar no garimpo, africanos escravizados foram trazidos para as minas de Santa Luzia, (Luziânia). No declínio do ciclo do ouro os trabalhadores ficaram no local e passaram a habitar em terras quilombolas. Assim surgiu o Quilombo Mesquita.



Contexto histórico


No início do Brasil Colonial, a corrida do ouro movimentava os europeus para o Novo Mundo no afã de explorar suas riquezas naturais. No litoral, navios atracavam fazendo comércio de pau-brasil, açúcar e outros "produtos" como... africanos. Índios que eram comercializados como se fossem mercadorias.


Colonizadores europeus e negros africanos viviam na costa do litoral. Mas, os paulistas ficavam mais isolados da rota comercial e São Paulo não desenvolvia tanto como os lugares mais próximos da rota de comércio marítimo. Por isso, buscaram explorar o interior do país para caçar índios e explorar sua mão de obra, já que não podiam comprar escravizados africanos. Essas expedições se chamavam Bandeiras.




Bandeirantes


Os bandeirantes paulistas entraram nas matas e chegaram ao Planalto Central. Em 1746, o bandeirante Antônio Bueno encontrou ouro à beira do Rio Vermelho e fundou o Arraial de Santa Luzia. Eles capturaram índios, e trouxeram africanos que trabalharam por décadas até que o ouro de aluvião acabou. Os exploradores do ouro foram embora e aqui ficaram pequenos agricultores, indígenas e os ex-escravizados das minas de Santa Luzia. Estes africanos e indígenas se uniram aos que tinham conseguido escapar e passaram a habitar a região onde se encontra hoje, o Quilombo Mesquita.


Mito fundador


Segundo relatos dos moradores mais antigos, as terras que habitam hoje foram doadas por um fazendeiro abolicionista chamado Mesquita a três ex-escravizadas alforriadas. O que é importante saber sobre o Quilombo Mesquita é que lá habitam mais de 750 famílias descendentes destas três ex-escravas, proprietárias dessas terras. Por isso, todos no Quilombo Mesquita são parentes. Com exceção de alguns que foram morar no local no decorrer dos anos sem ser por forma de casamento com um quilombola local. Muitos Quilombolas casam entre si, primos com primos mantendo a genealogia familiar intacta.


Cultura e Religião


A comunidade do Quilombo Mesquita adquiriu um modo próprio de viver, com crenças, cultura, culinária, cemitérios familiares, templos e antigos casarões que contam a sua história. A cultura da marmelada e as festas tradicionais são o ponto alto de sua identidade cultural. como resquício do Brasil Colonia. o Quilombo Mesquita é tradicionalmente católico, porém há também religiões de matriz africana e protestantes que garantem o seu espaço no local.



Geografia


Geograficamente. o Quilombo Mesquita abriga nascentes e protegem as minas de água que abastecem as cidades a seu redor. Apesar da especulação, ainda conseguem preservar boa parte da natureza intacta deixando o cerrado guardado de desmatamento por construções e plantações de soja. Porém, a ameaça a preservação ambiental e de sua cultura se aproxima cada dia mais. A comunidade vive basicamente de agricultura familiar com a produção de hortaliças, legumes e frutas como o marmelo.



Escravismo: Igreja do Rosário


A Igreja do Rosário é uma das grandes evidências da escravidão. O nome dela é Igreja do Rosário dos Homens Pretos. A história dessa igreja está entrelaçada com a história do Quilombo. A igreja começou com um lugar de oração que os africanos tinham na beira do garimpo. Com o passar do tempo, conseguiram o direito de levantar a construção. A história dos ancestrais do Quilombo Mesquita está registrada nos túmulos dentro da igreja onde seus parentes com o mesmo sobrenome estão enterrados.



Além da evidências históricas, que se repetem por todo o Brasil, pois o motivo de no Brasil ter muitos quilombos, é porque tinha muita escravidão. Como diz o professor e geógrafo Rafael Sanzio, "Onde tem colônia tem quilombo". A explicação é óbvia. Os traficantes de escravos traziam os africanos para o trabalho forçado e alguns conseguiam sua liberdade se escondendo na mata. Outros, a conseguiam através de acordos. No Quilombo Mesquita há os dois casos. As sepulturas encontradas nos cemitérios familiares provam as datas e origem dos primeiros habitantes ainda no tempo da escravidão.



Museu do Quilombo


O Quilombo Mesquita abriga o Espaço de Memória fundado por Célia Pereira Braga. O espaço entrou para o mapa dos museus com acervo da cultura material da diáspora africana no Brasil.


Reconhecimento


A comunidade tem o reconhecimento da Fundação Palmares desde 2006. A partir desse momento as terras não podem ser comercializadas por serem consideradas coletivas segundo o Procurador Geral da Fundação Palmares baseado no decreto 4487/2003. "As terras quilombolas são, por sua própria natureza, coletivas. Existe uma especial relação entre os quilombolas e a terra. Mais do que o seu habitat, ela é o seu ambiente para que desenvolva os seus usos e costumes e a sua preservação cultural", explica.


A comunidade abriga famílias tradicionais que são os Pereira Braga, Lisboa da Costa, Teixeira Magalhães e Dutra. As 750 famílias quilombolas que vivem no local descendem dessas famílias e através dos casamentos tronaram-se uma família só tendo a maioria dos habitantes algum grau de parentesco. Ou seja, são mais de 750 famílias de uma família só morando no mesmo lugar. Isso é uma terra coletiva. Por isso não pode ser vendida, porque pertence igualmente a todos.




Veja o documentário do correio brasiliense:



Matéria da Unicamp sobre os 130 anos da abolição:



Atualização da histórias das negras alforriadas.











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