Antônia Pereira Braga, uma história de luta
*Reportagem feita em 2011 no Quilombo Mesquita.

Antônia Pereira Braga é a moradora mais antiga do Quilombo Mesquita, tem 110 anos e ainda é cheia de alegria. Dona Antônia é a marca mais profunda do quilombo e vive sozinha em sua casa bem afastada da cidade. Estar dentro da casa de Dona Antônia é reviver o passado. Cada detalhe conta um pouco da história. O fogão a lenha, as panelas de barro, as paredes escurecidas pela fuligem que preparou o mais saboroso café tiram qualquer dúvida sobre a autenticidade do quilombo.

Aquela casa não abriga uma história morta, mas abriga uma história que ainda hoje vive, respira e conta coisas extraordinárias enriquecidas por uma imensa simpatia e pelas risadas de Dona Antônia e sua sobrinha Vicentina Pereira Braga, 63 anos que deixa sua casa para cuidar da tia.

Mas, a verdade é que a realidade em que Dona Antônia vive chocaria o mais cruel dos seres humanos. Sua casa fica longe da cidade e do atendimento médico. A cerca da fazenda em frente à casa dela impede que uma ambulância se aproxime. Vicentina dorme no chão da sala que é protegida por apenas um cadeado na porta de madeira. A casa não tem sanitário e nem chuveiro, apenas uma torneira do lado de fora.

Na parede, a foto delas abraçadas com o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, a quem, dona Antônia tem total admiração. O presidente mandou entregar uma televisão para que ela pudesse assisti-lo na TV pois, segundo ela, era um sonho a ser realizado. A falta de segurança na casa não permitiu que Dona Antônia usufruísse da televisão, pois, apenas uma porta velha de madeira com um pequeno cadeado não seriam suficientes para mantê-la segura na casa.

Não se sabe quanto tempo Dona Antônia resistirá vivendo sob essas condições, mas o interessante seria se essa história tivesse um final feliz e Dona Atonia Pereira Braga pudesse partir em condições dignas tendo uma velhice tranquila descansando dos longos anos de sofrimento. “Nunca comprei uma roupa” afirma, “Quando eu era menina eu lavava meu vestido e me escondia no quarto esperando a roupa secar” lembra.

O Brasil tem uma dívida histórica com Dona Antônia que deve ser paga ainda em vida e não com homenagens póstumas. Documentar essa história, e ignorar esses fatos, seria no mínimo hipocrisia. A responsabilidade de viver em uma sociedade mais justa é de todos. E todos juntos, sem interesses particulares podem com simples gestos solucionar essa triste realidade.

Fotos: José Assis Andrade
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Seis meses depois dessa reportagem, Dona Antônia faleceu e hoje sua sobrinha vive na mesma casa em condições precárias e receosa da especulação imobiliária que se aproxima cada dia mais. Ajude. Faça uma visita. Acesse a página do Quilombo Mesquita: https://www.facebook.com/quilombo.mesquita.904

Nota da Palmares sobre seu falecimento:
Nota do correio Braziliense:
Nota da Folha de São Paulo:
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